Raiva. Ódio. Por fim, um
sentimento de injustiça enorme que até doía o coração. Foi um momento marcante
na minha vida como um verdadeiro fanático do futebol. Portugal tinha caído aos
pés da França, graças a um penalty fantasma, após um jogo em que jogou melhor
que o adversário. Após um Euro fantástico onde tínhamos ganho à Inglaterra num
jogo memorável, sofrido até ao último segundo para vencer a Roménia, goleado a
sempre poderosa Alemanha e de ter vibrado com a defesa do Vítor Baía no penalty
contra a Turquia, caíamos por sermos roubados. Senti uma impotência gigante.
Era o mundo contra nós. “Heróis da dignidade” escrito em vários cartazes na
recepção aos nossos heróis.
Passados 12 anos revejo o lance e
penso: Isto é penalty. Isto é penalty em qualquer parte do mundo. É mão à
descarada. Tanta raiva, tanto ódio por algo que eu acreditava a pés juntos ser
verdade, para agora, lúcido e consciente, ver que o árbitro tomou a decisão
certa. Fiquei cego de paixão e não consegui ver o que as evidências mostravam.
Abel Xavier fez um penalty claríssimo e eu, na altura, não quis aceitar.
Às vezes é necessário deixarmos a
paixão de lado para conseguirmos analisar os factos de maneira correta e com
clareza. É preciso coragem, para nos abstrairmos do nosso amor pelo clube,
daquilo que ele representa para nós, de modo a conseguirmos questionar se está
certo ou errado. Os nossos também erram, não é por usarem o manto sagrado que
não erram. Não digo apenas em lances de jogo, como foras-de-jogo, penalties e
outros casos, mas também em atitudes dos adeptos, treinadores e presidentes.
Será que sou mau adepto por
questionar o meu próprio clube? Não. Só quero, por tudo, que ele ganhe. Só se
ganha evoluindo e aprendendo com os erros cometidos.

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