segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Duas viagens com regresso

Faz hoje uma semana que viajaram para a Corunha dois dos mais valiosos produtos da cantera benfiquista. Duas pérolas que dentro de 2-3 anos vão, seguramente, figurar entre os melhores jogadores portugueses nas respectivas posições. São duas situações diferentes e que precisam de ser separadas, analisadas e tratadas de forma cuidada. Dois jogadores que vão ter a oportunidade de jogar na La Liga frente a equipas como Real Madrid e Barcelona, num empréstimo com a duração de uma época.

Começando pelo início, como é nosso apanágio, o caso de Nélson Oliveira.

Ver o internacional português a jogar com regularidade, a marcar golos, a evoluir, a marcar cada vez mais golos  e a ganhar definitivamente um lugar cativo na posição 9 da equipa das quinas. Este era, e é, o sentimento e desejo comum a qualquer adepto encarnado. Contudo, não seria de esperar que Nélson agarrasse a titularidade esta época, ainda para mais quando o dono e senhor do lugar é o (ainda) muito contestado Óscar Cardozo, um homem que “apenas” garante 25-30 golos por temporada. Sendo assim, justifica-se o empréstimo apesar de existirem certas variâncias que não podem ser ignoradas.

Existem duas questões fundamentais na análise da situação de Nélson Oliveira, podendo mesmo ser paradoxais. Em primeiro lugar, o jogador benfiquista precisa de minutos. Em segundo lugar, o jogador precisa de jogar numa equipa grande. Depois do Europeu, que se realizou este ano, ficou bem claro que Nélson Oliveira precisa de jogar, de jogar com regularidade, de ganhar minutos nas pernas, de não ter a necessidade de mostrar em 20 minutos o que pode fazer em 90, permitindo-lhe assim gerir da melhor forma o seu processo de decisão (quem não se lembra daquela tentativa de trivela em pleno Stanford Bridge nos últimos minutos da partida dos quartos de final da Champions, quando tinha Yannick melhor colocado para fazer golo?). No entanto, ficou também, bem claro que depois de ter estado este ano no plantel principal acompanhado pelo nosso treinador Jorge Jesus, o jogador encarnado melhorou (e muito!) o seu jogo. O seu posicionamento em campo já não é o mesmo da era Paços de Ferreira, tal como a sua forma de pressionar. Acima de tudo, e onde se nota a maior diferença de uma época para a outra é na sua movimentação dentro da área adversária. Isto era, e é, um dos muitos aspectos do jogo que lhe faltava, e ainda falta trabalhar.  Não foi trabalhado no empréstimo ao Rio Ave, no empréstimo ao Paços de Ferreira e vai com certeza continuar sem ser trabalhado neste empréstimo ao Deportivo. Porquê? Diferenças na forma de encarar o jogo.

Um jogador numa equipa pequena é trabalhado de forma diferente. É mais um avançado. Um jogador voluntarioso que tem todo o espaço do mundo para decidir. É normalmente um jogador de contra-ataque. Alguém que joga longe da área adversária. Por outro lado, um jogador numa equipa grande é um jogador que vê a grande área adversária como o seu habitat natural, onde tem de passar lá o tempo suficiente até lhe poder chamar de segunda casa. Tem de estar acostumado a jogar em pouco espaço, tem de estar acostumado a conviver com os defesas adversários, a confrontá-los, mas acima de tudo, tem de se sentir à vontade para colocar a bola dentro da baliza adversária, sem tremer. É isto a definição de um ponta de lança. É isto que falta a Nélson Oliveira neste momento: passar de um bom avançado para um bom ponta de lança, e aí sim, poder evoluir e tornar-se num jogador de classe mundial (condições não lhe faltam). Assim, pensamos que com este empréstimo, apesar de não ajudar Nélson a melhorar os aspectos acima referidos, vai fazer dele mais jogador e assim, poderá regressar com mais força na próxima época.

O caso de Roderick é diferente. Este precisa de jogar, de preferência contra os melhores. Nada melhor do que jogar no ofensivo campeonato espanhol, contra jogadores como Benzema, Villa, Soldado,entre outros. É um jogador que pode vir a substituir Luisão quando este decidir pendurar as botas, mas que neste momento estava completamente “tapado” na equipa principal. O empréstimo vai fazer-lhe bem.

Assim, o visto do 3º anel vê nestes dois empréstimos uma boa oportunidade para os jogadores evoluírem. Com o objectivo de os recebermos na próxima época de braços abertos e vestidos com a faixa de campeão nacional ao ombro.

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